A nós bastem nossos próprios ais,
Que a ninguém sua cruz é pequenina.
Por pior que seja a situação da China,
Os nossos calos doem muito mais...
(Mário Quintana)
(Mário Quintana)
Nem sempre podemos direcionar as nossas energias para o seu devido lugar. Nessas horas, uma corrida, um bom chocolate ou um livro interessante mudam o percurso daquele xingamento que já estava fazendo cócegas na nossa boca. Mas também, se a vontade for muito grande e o objeto merecedor, vá em frente, pra não correr o risco de engolir sapos que nem no seu brejo merecem estar!
Sim, o mundo dá voltas, a tapioca vira, um dia é da caça e outro do caçador.
A falta é como um buraquinho que deixou de ser preenchido, um espaço que ficou em branco, um guarda-roupa vazio. A gente sabe que deveria existir algo ali, mas, por alguma razão só restou a ausência. E a gente sente falta de diferentes coisas, em momentos variados. Falta de sono, de dinheiro, de paciência. Falta daquela comida, do abraço, de disposição. Falta de juízo e de coragem. Falta do que já fomos, do que vivemos, de quem amamos. E a gente quer retomar cada coisinha, organizar a casa, colocar tudo no seu devido lugar. Algumas vezes, uma falta gera inúmeras outras... A ausência de alguém que nos é importante, por exemplo, traz consigo um pacote de outras faltinhas: a falta da palavra, do som da voz, do cheiro. A falta da companhia, do contato físico, do gosto. E as faltas vão se juntando e, com um grito estridente, acordam a saudade, que estava tendo o seu momento de descanso. E, nesse caso, a falta traz a saudade pela mão...
Procura-se, urgentemente, a tabela de medidas. Ta difícil saber os limites, a porção exata, o manequim correto. Onde fica a fronteira, onde acaba os direitos e onde começa os deveres. Até que ponto as lamentações tem fundamento e em que capítulo, já virou um drama desnecessário. Não se sabe. Não se sabe a diferença entre ser Amélia e ser uma mulher, apenas, compreensiva. Em que momento você deixa de ser uma megera e passa a ser alguém que está, apenas, defendendo a parte que lhe cabe num latifúndio qualquer. Em que parágrafo, os seus escritos deixam de ser um desabafo despretensioso e passa a ser uma tentativa gratuita de ofender. Também não se sabe. A proporção exata das coisas, hoje, é uma menina desconhecida...