sábado, 6 de março de 2010

MERECIDA FUGA

"Tem dias que a alma adoece, enfraquece, cansa, sucumbe, padece, claudica, esmorece, tropeça, cai, se espatifa, murcha, fenece, desiste, pede arrego e o corpo, coitado, vai junto. E tudo o que se quer é poder ir para cama às 4 da tarde, no quarto escuro e silencioso, deitar a cabeça no travesseiro e desaparecer para si, de si, pros outros, do mundo. Não perturbe dependurado na porta. Uma mãe imaginária materializável só para quando a gente gritasse, água. Ou para quando a gente finalmente saísse do semi-coma, servir um prato daquela canja de galinha que só existia quando eu tinha 5 anos. Batatinha em quadradinho, arroz, frango desfiado, caldo e calor.
Mas sair do semi-coma só depois. Agora precisamos do lugar longe do mundo e de nós mesmos porque estamos doente, com gripe, com caxumba, com indisposição gástrica, com conjuntivite, não interessa o que dizer ao chefe. Hora do intervalo de si mesmo, do recreio, coffee-break. Só eu e o sono, o lençol cheiroso, a janela e a cortina cerrada, quem sabe a gata. Sem telefone, sem barulho, sem campainha, celular, bombeiro, ambulância, vizinho, interfone, alarme de carro, planão do jornal nacional. Eu, meu corpo e minha lama cansada no silêncio acolhedor do intervalo da vida. Hoje só amanhã. Até" (Ticcia).

SOLIDÃO

Como é que se dá o processo de admissão das próprias incapacidades? Não sei se é fácil, tampouco se é muito difícil. Mas não dá para fazer de conta, quando a historinha não tem nenhuma graça. Não sei pagar de artista. Não tenho a menor vocação, nunca tive. Não gosto de ver as coisas sofrerem alterações momentâneas de 180 graus sem nenhuma razão óbvia. Isso me assusta, me irrita, tira toda a reserva de paciência que ainda existe no meu tanque. No dia seguinte, não sei finjir... As minhas roupas, as minhas coisas, a minha escova de dente. Meu tênis encostado lá há dias, para momento de emergência. Minha ilusões...

terça-feira, 2 de março de 2010

O CARA

"O amor é uma coisa íntima, mas todos nós temos a necessidade de torná-lo público. É a nossa vitória contra a solidão. Assim como as torcidas de futebol comemoram seus títulos com buzinaços, foguetório e cantorias, queremos também alardear nossa conquista pessoal, dividir a alegria de ter alguém que faz nosso coração bater mais forte. É por isso que, mesmo não sendo adepta do estardalhaço, me consterno por aqueles que amam escondido, amam em silêncio, amam clandestinamente. Mesmo que funcione como fetiche, priva o prazer de ter um amor compartilhado".

(Martha Medeiros)


NORMAL, NORMAL

Recebi por depo, de uma das mulheres mais inteligentes que já conheci. Minha amiga de coração, pensamentos e idéias. Dra Manu, tão extra-terrestre quanto eu. Por isso tão interessante, tão indispensável, tão ela mesma. Por isso me faz tanta falta.

"ei...essa coisa de ter que ser demasiadamente humana..passa viu?
passa pq não ser nem um pouco humana só faz bem.
Ser bicho cheio de sentimentos torna tudo melhor e mais feliz!
Acho que é por isso que nos entendemos qd vc diz q mordeu a perna de alguém...e eu quando tenho vontade de passar a pata na maioria das pessoas.

Normal normal"

segunda-feira, 1 de março de 2010

Ser empática não é pagar de Madre Tereza

O início de 2010 funcionou como um acerto de contas do fim de 2009. Se é que fica possível entender. As diferenças acabaram me levando a decisões difíceis, a aceitação de situações que não me são naturalmente saudáveis. Fiz amizades com os sapos e enfiei-os goela abaixo porque valia à pena. No mundo concreto era incontestavelmente válido fingir que o gato não miava enquanto fingia ser lebre (como bem explicou a querida Clarice). E fiz. E entendi, aceitei, sorri quando a vontade era esbofetear, para preservar as pessoas que de fato fazem por merecer cada sacrifício, cada batráquio colecionado. Fiz porque sou uma "feliz vítima" de uma educação acima de qualquer suspeita e resitente a doses, copos e, até mesmo, porres homéricos. Até o meu inconsciente tem uma educação inglesa, para os momentos de obnubilação, se é que dá para captar as entrelinhas.

Mas quando a conta chegou, no começo de um novo ciclo, o aparelho digestivo do meu mundo psíquico mais parecia um brejo. Cheio de pequenas criaturas verdes coachando sem parar. Tirando o meu sono, a minha paciência e, por várias vezes, o meu humor. "Ah, mas faz tanto tempo...". Nas minhas aulas de Psicologia, explico que, se alguma coisa passada ainda te angustia na atualidade, é porque ela é presente. Bem presente. Presente de grego. Para virar passado, os sapos tem que ser digeridos. E estão sendo. Calmamente. Eficazmente. Sem medo das perdas em decorrência dos "nãos" que já tenho coragem de dizer hoje. Os "nãos" que deveriam ter dito antes e não o fiz por medo de perder.

E porque fui acostumada a entender o outro, mesmo quando o outro tampouco está se preocupando comigo. Porque acredito que as pessoas sempre tem alguma razão para fazer o que fazem, por mais incompreensível que as suas atitudes possam parecer. Aprendi que tenho que relevar, analisar e passar adiante. Tenho uma capacidade empática inata e outra aprendida. Imagine o pacote... E aí, vou colecionando "nãos" não-ditos. Vou aceitando agressões porque "ó pobrezinha, tá cheia de problemas". Vou aguentando palavras grosseiras sem revidar nem com minha tiradas irônicas porque "só foram ditas" em decorrência de um certo grau de ebriedade. E trato adultos como crianças.

Até que o limite atinge o ápice. Até que a paciência de Jó se exaure. Até que eu decido que - mesmo as crianças - precisam assumir a consequência dos seus atos para serem pessoas melhores. Faz parte do processo de aprendizagem. Imagine adultos mimados e inconsequentes... E, a partir daí, decido fazer uma limpeza geral no brejo e expulsar todos os sapos que não foram naturalmente digeridos!

E tenho dito (adorando ser rebelde)!!!

EMPATIA

"Pouca coisa eu faço melhor na vida do que entender os outros. Os sentimentos dos outros, as motivações dos outros, as dificuldades dos outros, os defeitos dos outros, as qualidades dos outros, os meandros dos outros, as nuances dos outros, os anseios dos outros, as angústias dos outros, os sonhos dos outros, as frutrações dos outros, os desejos dos outros, as tristezas dos outros, os medos dos outros, as atitudes dos outros, as inseguranças dos outros, as canalhices dos outros. Minha capacidade empática é das coisas mais arraigadas e desenvolvidas. Não faço idéia porquê. Ajuda, no mais das vezes. Consigo antecipar o agir das pessoas, enxergar através dele, ajudar quando é preciso, me proteger quando é possível (nem sempre é e, quando não é, eu vou sofrendo antes tentando me convencer do contrário do que já sei). Dói, freqüentemente. Empatizar é colocar-se no lugar do outro e sentir-se como ele. Às vezes eu entendo o que não queria, vejo o que gostaria de não ter visto, percebo o que não deveria ter percebido. Estou me convencendo de que é mais fácil amar de uma certa distância. Distância esta que não se faz em mim" (Ticcia).

domingo, 28 de fevereiro de 2010

VAMOS ACORDAR!!

Papo de mulher. Único e exclusivo! Queridas amigas, se o rapaz te deixou há algum tempo e já está vivendo a vida, o nome disso é escolha. Não adianta pedir, barganhar, dar perdido na madrugada. Não adianta vasculhar para saber a programação noturna do rapaz, para "aparecer sem querer", "ó que coinscidência". Se vocês não estão mais juntos, é porque ele decidiu que a vida seria melhor sem a sua companhia. Que seria mais agradável ficar sozinho. Quando falo sozinho, digo sem você. Não foi porque aquela loira apareceu, porque a morena estava dando em cima ou porque você é muito demais e ele não segurava a onda de ter alguém tão top ao lado dele. Desculpe a objetividade. Se ele preferiu ficar sozinho é porque na relação custo-benefício, ficar com você estava saindo mais caro. Ok? Deu pra entender? Porque não tem coisa mais feia do que mulher maldizendo a atual escolha do rapaz. Seja a namorada, a ficante oficial ou a grande amiga companheira de baladas. Também pode ser aquele cachorro daquele amigo que tem um monte de primas e vive convidando o seu passado pra badalar por aí. Sim, queridas, é muito feio. É passar atestado de insegurança, de infantilidade e otras cositas más. Esquece. Levante a cabeça e começa a entender que a vida é assim.

Não adianta achar o querido na noite e tentar agarrar o rapaz a qualquer custo. E chorar no banheiro depois de um educado fora, também não pega bem. Se não segura a onda, fica em casa, faz outros programas, frequenta outros lugares, até que você
já seja capaz de vê-lo sem ter ganas de pedir "pelamôrdedeustôaqui". A gente vale mais. Se encher a cara também serve de estimulante para atitudes que só irão endossar o que já foi dito, repetido, escrito nas entrelinhas e publicado no diário oficial, então deleta o número do rapaz da agenda, faz favor. Quanto mais atitudes nonsense, mas você irá lembrá-lo do porque ele não está mais contigo. Isso é fato. Provado e comprovado. E, só para lembrar: a escolhida do bonitão nada tem a ver com o fora que você levou. Ou com a decisão que ele tomou de não ser mais teu parceiro. Não foi por causa dela que as coisas não funcionaram. Tampouco é por causa dela que o revival não se fez realidade nos seus dias. O que acontece é que você acaba se tornando uma chata, inconveniente e perdendo a oportunidade de conhecer pessoas legais (sim, elas podem ser legais maneiras, queridas).

Ninguém, a não ser você e o digníssimo, tem responsabilidade nenhuma pela mudança de planos dele. Ele não precisa ficar com você pra sempre. E se as coisas tiveram um fim e a iniciativa não foi sua, é porque talvez ele queira outra coisa. Ou porque ele não quer mais o que
tinha antes. É porque ele não quer. Deixa eu repetir em Caps Lock: ELE NÃO QUER MAIS. Desculpe a falta de jeito, mas, às vezes, é só assim que funciona, se você - além de não conseguir enxergar o óbvio - ainda se comporta de forma a diminuir o seu próprio valor. Se não deu certo com ele, vire a página, mude o disco, renove o álbum, seja feliz. Você pode estar deixando passar um montão de coisas legais porque decidiu ficar vendo a banda passar. Uma banda que - só para te lembrar - não canta pra você.

Verdade

Acho engraçado... as pessoas saem para se divertir mas não conseguem esquecer antigos fantasmas. E recorrem ao telefone. E reviram o armário numa tentativa de achar algo que já não está mais lá. E perturbam a noite alheia. E acham que estão recebendo créditos, quando estão, na verdade, recebendo um feedback de natureza educada. Porque sim, existem pessoas educadas. Que vão ouvir, vão responder, vão ser diplomáticos...
E acham que o mundo não sabe. Ou não vai saber. Acham que os retornos podem ser sinal de qualquer coisa, quando - na verdade - a "verdade" já foi socializada. Lêdo engano. Porque quando se é fiel, é de forma completa. Não é porque o outro não está olhando, porque o outro não saberia, ou por qualquer outra coisa. É, sim, porque o outro é importante. Porque o outro merece todas as palavras possíveis, porque o outro foi treinado pra entender as nuances humanas. Mesmo as mais infantis. Mesmo as mais mesquinhas. É porque o outro tem um papel bem diferente de qualquer outro ocupado antes.

P.S.: A melhor verdade???
O QUE ACONTECE DURANTE A NOITE, SEMPRE É REVELADO DURANTE O DIA

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

SENTIMENTO NÃO É EMOÇÃO... Pra quem não sabia...


E quem pode medir o sentimento alheio? Com que propriedade alguém pode determinar o peso carregado por terceiros?

Pobre daquele que se acha no direito de fazer julgamentos referentes a tristezas, alegrias ou amarguras de outrem. Porque as emoções podem ser expressas de diferentes formas. E o que é sentido nem sempre é proporcional a capacidade de emocionar-se como “manda o figurino”.

Já dizia Caetano, que cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é. E cabe a esse cada um elaborar os lutos, enfrentar os problemas e olhar no olho do monstro como julgar mais conveniente. E se quiser pegar na mão do monstro e seguir estrada, também pode, desde que tenha plena consciência do que está fazendo. Cada um escolhe os riscos que quer correr. Cada um sabe quanto vale a pena cada risco. Aqui, a única regra universal é a mais antiga e clichê de todas: ser honesto. Com o outro e consigo mesmo. E respeitar o espaço e o direito alheio, mesmo que o coração fique em frangalhos, com cara de torcedor derrotado em final de campeonato, sentado na arquibancada sem saber o que fazer. E respeitar a si mesmo. Suas limitações, suas necessidades, seus desejos e suas capacidades. Não como o vizinho, os amigos ou os coleguinhas circunstanciais julgarem conveniente. Mas como a sua dupla coração/bom senso lhe solicitar.

Porque no final, na contagem dos pontos, o seu sucesso ou aparente fracasso é de responsabilidade sua. Pessoal e intransferível. A conta vai chegar na sua mesa e é você quem terá que arcar com as despesas. Assim, o interessante nesse processo, é que a sua decisão - “certa ou errada” – tenha lhe valido cada centavo emocional gasto. Porque não é seu vizinho, amigo ou colega que sofrerá porque você decidiu o que outros achavam ser o melhor caminho. Eles vão apenas achar e tentar lhe persuadir. Mas o sofrimento ou as alegrias serão sentidas por você. Com todos os melindres, detalhes e firulas dos dramas novelescos. Sendo você, a protagonista da história.

Porque ninguém melhor do que você para saber qual a melhor porta a ser aberta. Ninguém mais apropriado do que você para medir e avaliar qual a decisão que lhe trará mais paz no momento. O máximo que terceiros podem fazer é tentar limpar a sua vista, se ela não estiver lhe proporcionando uma visão clara das coisas. É ajudar no processo de conscientização de si mesmo e em si mesmo. Mas, a partir daí, a responsabilidade está em suas mãos. Não cabe a ninguém julgar, criticar ou fazer avaliações sem um propósito construtivo. Porque ninguém sente o que você está sentindo. Porque, definitivamente, “cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”.

DESLIGADA


Há sempre algo de ausente que me atormenta.

Camille Claudel