sexta-feira, 11 de março de 2011

SER FELIZ

Ser feliz é quase uma questão de escolha. Sei bem que essa frase soa um pouco clichê. Para mim também. Nunca havia parado para pensar sobre ela e acabei, muitas vezes, menosprezando a verdade escondida atrás de palavras tão batidas.
É preciso, sim, que a gente se permita ser feliz. Sei que, em muitos momentos, a coisa não é tão fácil assim. Vai um pouco além da nossa vontade consciente. Leiam bem: Consciente. Quantas vezes nos boicotamos, perturbamos o nosso bem-estar sem entender bem o porquê, e achamos que a gente nunca vai poder relaxar ao lado da senhora felicidade? Eu sou capaz de lembrar claramente de quantas vezes fiz isso...


Não que não vá fazer de novo. Sei lá. O nosso inconsciente carrega no seu baú, um punhado de razões que a gente desconhece. Material recalcado, medos inexplicáveis, razões quase impossíveis de serem imaginadas. E a gente, muitas vezes, acaba cedendo a pressão de comportamentos que simbolizam parte do que não foi devidamente organizado no nosso mundo psíquico. O problema, é que ele vem como um tsunami. Destrói tudo. A paz, o sossego, a agradável calmaria. E é aí que entra a vontade de verdade. Tal qual a força que temos que fazer, para resistir e não comer aquele chocolate, bem no auge da nossa TPM. Talvez, uma força um pouco maior. Talvez, uma disciplina gigantesca, para respirar fundo e não ceder à tentação de se comportar de um modo feio, mesquinho, quase insano, "sem ter nem porquê". A coerência para não agir, se a realidade não justifica - nem com muita imaginação - tal comportamento.


E com isso, deixar sossegada a nossa felicidade, cheia de razões para existir e para estar fazendo morada nos nossos dias. Porque, sim, ser feliz, muitas vezes, é uma questão de "deixar ser feliz". De permitir que o outro nos ame, que a gente se ame, que tenhamos o controle dos nossos dias, sem duvidar - em momento algum - que a gente, de fato, merece tudo isso!

quarta-feira, 9 de março de 2011

Sem definição



"Há saudades que caminham comigo aconchegadas num lugar gostoso que a memória tem. Sei que estão lá, mesmo quando demoro um bocado de tempo para apreciar as histórias que me contam. São porta-jóias que guardam encantos que não morrem. Caixinhas de música que, ao serem abertas, derramam melodias que me fazem dançar com elas de novo. São saudades capazes de amenizar o frio de alguns instantes, com os seus braços de sol"
(Ana Jácomo)



NÓS DOIS

A gente parecia ter poucas coisas em comum, na vida prática. Nos encontramos em uma das poucas ocasiões de semelhança. Ele havia construído uma vida com valores e princípios iguais aos meus, mas a direção dos seus dias acontecia de forma diferente. Ele era dotado de uma ingenuidade quase inacreditável. Eu havia aprendido a ler nas entrelinhas, a acreditar num certo determinismo psíquico e a aceitar que nada na vida acontece desprovido de intenção. Não me tornei uma pessoa dura, muito pelo contrário. Mas já conseguia separar o joio do trigo com uma estatística de acertos digna de ser levada em consideração. E isso, hoje sei, não é lá um mérito muito grande.


Ele teve que se tornar uma pessoa do mundo, como forma de autopreservação. Foi o caminho que escolheu e - provavelmente - a forma mais saudável de manter o seu self equilibrado. Tornou-se, assim, uma pessoa querida pelas mais diversas razões. Muitas certas, outras tantas não tão honestas. Esteve sempre rodeado de poucos grandes amigos, irmãos que a vida lhe trouxe, milhares de colegas circunstanciais, pseudo-amigos conquistados em festas e baladas, sugadores de imagem... Essa última, para mim, a espécie mais digna de pena. Porque era bacana ser querido (a) por ele. Porque ele tinha muitos amigos. Porque tinha uma vida movimentada. Porque é lindo em todas as dimensões. Porque a sua condição profissional dá status de uma forma torta, para os pouco alimentados de si mesmo.

Eu me tornei uma pessoa mais introspectiva. Aprendi a analisar quase que reflexamente. Com amigos, de verdade, de um perfil determinado. De características diversificadas, é verdade. Mas seguindo a lógica de que as semelhanças unem as pessoas. Não que não tenha me deparado com colegas de balada, amigos circunstanciais ou sugadores de imagem. Sim, muitas vezes os encontrei pelo caminho. Mas nunca os rotulei de amigo por achar que era esse o papel deles na minha vida. Faltava-me ingenuidade. Ou talvez, a vida tenha me ensinado a definir quem é quem, no jogo do bicho. Acho que o meu conceito de intimidade era um pouco diferente... Porque poucas pessoas se apropriavam da minha vida. Porque sempre me resguardei de ser a grande notícia ou o centro das atenções. Dei um valor muito grande a preservação da minha imagem e nunca soube dizer, ao certo, se esse é o melhor caminho. Mas sempre fui muito crítica comigo mesma, para correr o risco de ser julgada por quem não me conhecia, de fato. Talvez essa, também tenha sido uma maneira de me defender. Também não sei, se a mais correta...


Mas a gente se encontrou, mesmo assim. Porque talvez, por ser diferente do que ele estava acostumado, eu fosse o que ele procurava, de verdade. Porque, talvez, eu tenha conseguido lhe direcionar sentimentos desprovidos de intenções tortas. Porque talvez, comigo, ele tenha conseguido entender um pouco mais de si mesmo, no que tem de mais íntimo. Quem sabe, porque eu tenha feito ele enxergar determinadas coisas com outros olhos. E ele tenha gostado do novo, que encontrou nele.

E a gente se encontrou assim... Porque, certamente, ele me direciona um sentimento nunca antes sentido. Porque ele me faz entrar em contato com dezenas de fraquezas minhas, fantasiadas de teorias e certezas. Porque a simplicidade com que ele vive os seus dias, torna-os incrivelmente leves. Porque eu o admiro por um monte de coisas que me angustiam, numa relação bem contraditória, mas motivadora de mudanças importantes, que talvez eu precise enfrentar. Porque ele me leva a questionar um monte de comportamentos. Talvez, porque ele seja o que nunca pensei para mim, mas o que mais me faz feliz. Porque ele me dá a segurança de um amor intenso. Porque eu o amo com o amor mais inédito e mais exclusivo do meu arsenal de sentimentos. E com ele, ando numa necessidade constante de limpar a chaminé, como numa sessão de psicoterapia perene. Como se isso fosse parte importante no meu processo de ser feliz de forma segura. Que às vezes dói. Às vezes angustia. Mas que sei ser imprescindível para que eu me deixe ser amada simplesmente pelo que sou. Sim, porque é assim que ele me ama. Descabelada, surtada, irritada, nos meus maiores momentos de imperfeição. E isso, para mim, talvez seja uma gostosa e assustadora novidade. Porque ele me leva a querer ser uma pessoa melhor...

E a gente se encontrou pelo mais simples motivo. Eu poderia dizer que foi porque nossos valores são iguais, nossos princípios são da mesma família. Porque a gente provocou um processo de amadurecimento mútuo. Porque a gente gosta da companhia do outro em qualquer programa e fazendo nada. Porque o outro é o nosso porto-seguro, nosso alicerce, nossa vida. Mas na verdade, considerando tudo isso, a gente se encontrou porque somos pessoas cheias de sorte e a vida deve gostar um tantão da gente. Porque amor assim, que só acontece uma vez na vida, não se explica. Não se define. Acontece, e pronto. E a gente tem que aproveitá-lo diariamente, da forma mais intensa e mais justa possível: amando, cuidado, merecendo e agradecendo.

terça-feira, 8 de março de 2011

SAUDADES DO MEU CARNAVAL



Eu vou sentir falta do Carnaval... Não dos sons altos, dos gritos, da bebedeira alheia, da alienação da massa. Vou sentir falta dos sons de descoberta, das vozes tão conhecidas e confortadoras, das tiradas fantásticas de quem começa a interagir de forma mais ativa, com a vida. Vou sentir falta dos risos e das gargalhadas. E, acreditem, até dos choros e das reclamações infantis.
Vou sentir falta do meu carnaval, dos dias na varanda, alheios. Das piadas fora de hora, dos aperreios propositais, da praia no início da manhã, cedinho, em pleno carnaval. Da sensação de estar em casa e do abandono das minhas fantasias, quando todas as outras pessoas estão caracterizadas de algum personagem. Sim, parece que estou sempre indo no caminho oposto ao do trio... Vou sentir saudade dos "bocos", pela excitação que causa na minha criançada. Pela possibilidade de unir todos, por alguns minutos, pra ver a banda passar. Da mesa cheia, florida e repleta de felicidade.
Da criançada dançando, das bolinhas de sabão, dos momentos largados em cima da cama, olhando o divertimento de quem sabe aproveitar a vida. Da cervejinha com os cunhados, do bate-papo com a família, da segurança que minhas irmãs e meus pais me proporcionam. Dos abraços tão esperados e tão desejados. Do "Kiki" mais safado e do desejo genuíno da companhia de"titia". Do caranguejo, dos bolos de aniversário, das festas infantis.
Sim, eu vou sentir falta do meu carnaval, que poderia ter acontecido em qualquer época do ano. No São João, na Semana Santa, no Natal, ou em um final de semana qualquer, desde que o meu bloco preferido estivesse na avenida, tirando dez em todos os quesitos essenciais à minha vida.

segunda-feira, 7 de março de 2011

AQUI DENTRO

'Não importa o quanto às vezes seja difícil, o quanto às vezes
eu me atrapalhe, o quanto às vezes eu seja a densa nuvem que
esconde o meu próprio sol, quantas vezes seja preciso recomeçar:
combinei comigo não desistir de mim'
(Ana Jácomo).

Palavras sobre Carnaval...

"PARA O CARNAVAL:

Todo ano é a mesma coisa: você chega, fica aqui três dias e aí vai embora. Volta um ano depois, todo animadinho, querendo me levar para a gandaia. Olha, honestamente, cansei.

Seus amigos, bando de mascarados, defendem você. Dizem que sempre foi assim, festeiro, brincalhão, mas que no fundo é supertradicional, de raízes cristãs, e só quer tornar as pessoas mais felizes.

Para mim? Carnaval, desengano... Você recorre à sua origem popular e incentiva essas fantasias nas pessoas, de que você é o máximo, é pura alegria, mas não passa de entrudo mal-intencionado, um folguedo, que nunca viu um dia de trabalho na vida.

Acha-se a coisa mais linda do mundo e é cafonice pura. Vive desfilando pelas ruas, junto com os bêbados, relembrando o passado. Chega a ser triste.

Carnaval, você tem um chefe gordo e bobalhão que se acha um rei, mas não manda em nada. Nunca teve um relacionamento duradouro. Basta chegar perto de você e temos que agüentar aquelas fotos de mulheres nuas, que são o seu grande orgulho.
Você não tem vergonha, não?

Sei que as pessoas adoram você, Carnaval, mas eu estou cansada dos seus excessos e dessa sua existência improdutiva. Seja menos repetitivo, proponha algo novo. Desde que o conheço, você gosta das mesmas músicas. Gosta de baile. Desculpa, mas estou pulando fora.

Será que essa sua alegria toda não é para esconder alguma profunda tristeza? Será que você canta para não chorar? Tentei, várias vezes, abordar essas questões, e você sempre mudou de assunto. Ora, chega dessa loucura. Reconheça que você se esconde atrás de uma dupla personalidade.

Cada vez mais e mais pessoas ficam incomodadas com essa sua falsa euforia, fique sabendo. Conheço várias que fogem, querendo distância das suas brincadeiras.
Você oprime todo mundo com esse seu deslumbramento excessivo diante das coisas, sabia?

Por exemplo, essa sua mania de camarote. Onde os vips podem suar sem que isso pareça nojento. Onde se pode falar torto sem que seja errado. Todos vestidos de uniforme, senão não entram. Todos doidos para passar a mão na bunda um do outro.
Essa é a sua idéia de curtir a vida?

Menos purpurina, Carnaval. Menos bundas, menos dentes para fora. A vida é linda, mas a “lindeza do lindo mais lindo que há no lindíssimo” é um saco. Um pouco de calma e autocrítica nunca fez mal a ninguém. Tudo muda no mundo – por que você insiste em continuar o mesmo?

A harmonia vem da evolução, não das alegorias. Chegou a hora de rodar a baiana para não atravessar na avenida.

Como será amanhã? Responda quem puder
" (Fernanda Young).

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

AMOR, PAZ E ESPERANÇA


ANJOS


Enquanto houver você do outro lado
Aqui do outro eu consigo me orientar
A cena repete, a cena se inverte
Enchendo a minha alma
Daquilo que outrora eu deixei de acreditar

Tua palavra, tua história
Tua verdade fazendo escola
E tua ausência fazendo silêncio em todo lugar

Metade de mim,
Agora é assim:
De um lado a poesia, o verbo, a saudade
Do outro a luta, a força e a coragem pra chegar ao fim

E o fim é belo, incerto...
Depende de como você vê
O novo, o credo, a fé que você deposita em você...
... e só.

(O Teatro Mágico)

sábado, 26 de fevereiro de 2011

NÃO TEM PREÇO

Ganhar rosas vermelhas, num fim de tarde de sexta-feira, com um cartão lindo, em comemoração a 77 dias de casamento... justifica todas as difíceis escolhas e faz lembrar que tudo vale à pena...

MUDAR PARA EVOLUIR


Por mais adaptável que sejamos, é impossível passar incólume às mudanças.

Porque toda mudança pressupõe uma escolha, e escolher traz no pacote renúncias, riscos, expectativas e novas possibilidades. Porque mudar - quase que de forma automática - leva-nos a uma análise da nossa vida, dos caminhos que estamos seguindo, das escolhas que fizemos. Como uma espécie de diagnóstico existencial do que já foi vivido, até então. Mudar não é fácil. Mas ninguém disse que é, ou que precisa ser.

Mudar é difícil, sim, se você está ativamente comprometido com a mudança. Se você não se imagina apenas como coadjuvante do processo. Mas o fato de ser difícil não significa que tenha que ser triste ou sofrido. Não é o conflito que traz a tristeza, mas sim a impossibilidade de resolvê-lo. Mas o impossível não é ponto comum na vida de quem ousa, de quem se dispõe a recomeçar quando necessário.
Itálico
Ok. Não basta só boa vontade e fé. É preciso coragem para sair da zona de conforto e para abandonar a segurança do conhecido. É preciso certezas, mesmo com todas as novidades e inseguranças de um futuro apenas imaginado. É imprescindível raízes fortes para que a identidade não se perca no caminho, diante dos perrengues e das dificuldades. Pode-se sucumbir. É até normal, dentro do contexto. Mas não pode cair... Além disso, é condição sine qua non, ter aqueles que nos são emocionalmente relevantes por perto, segurando na nossa mão, andando na mesma direção e nos direcionando afeto correspondente, recíproco, para que a gente sempre lembre das verdadeiras razões para estarmos ali. Para que sempre tenhamos um porto-seguro para onde correr, quando for preciso descansar.
Sim, descansar. Porque o processo de adaptação pode demandar muita energia, muito esforço, até que as coisas atinjam a sua homeostase de novo.
Mas, acredite: No momento em que essa homeostase for atingida, você poderá comprovar que todas as mudanças vivenciadas - por mais difíceis que tenham sido - serviram para tornar o seu presente uma clara evolução do seu passado, endossando a máxima de que "os fins justificam o meio" e fazendo com que você, enfim, entenda as razões de ter apontado o dedo para aquela direção e decidido seguir em frente.