quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Essa tal felicidade

É na noite que se pensa...

Às vezes, a noite traz um certo desencanto...
É a noite que as idéias ficam mais claras, que os pensamentos podem ser ouvidos quando a agonia do dia dá lugar ao silêncio da noite. É a noite que a espera do sono dá as cartas. E é na espera do sono que os nossos palhaços saem para brincar e lançam inúmeros jogos de adivinhação sobre nós mesmos. É nessa espera que as elocubrações começam o seu expediente. Que os nossos desejos conferem o gabarito e explicitam o nosso resultado parcial ao final de mais um dia. E, com o tempo, a gente se dá conta de que a velocidade do nosso sono é diretamente proporcional ao nosso rendimento nessas provas auto-impostas em prol da nossa homeostase. Provas tão objetivamente desnecessárias. Tão subjetivamente imprescindíveis...

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Plágio

Se você gosta muito de algo, a ponto de querer dividir com outras pessoas, dê os créditos ao dono da banca. Se gostou de um texto, achou legal, diferente, copie. Tudo bem. Não é feio. Pelo contrário. É uma forma de mostrar o quanto aquilo te agradou. Mas, porfavorpelamôrdedeus, dê a César o que é de César. Prestigie a quem é de direito. Aspinhas antes e depois. E o nome do "César" bem abaixo, ok?! Porque fazer as pessoas acharem que aquela obra prima literária saiu do seu cérebro quando o "remetente" foi outro, é muito feio, não é legal e é ilegal. Se é que vocês me entendem.
Não, não vi ninguém plagiando texto meu, já aviso. Não escrevo pra tanto!! Mas acho que me sentiria um pouco injustiçada, como se alguém tivesse assaltado as minhas idéias e desfilasse com elas por aí, por mais simplórias que elas sejam. Simples, mas minhas.
Mas percebo facilmente, quando alguém se apropria das palavras ou idéias alheias. E isso me causa um certo desconforto. Suscita um sentimento de indignação, posso dizer assim.

E quer saber?? Qualquer pessoa mais chegada a leituras, a escritores, poetas e filósofos tem uma certa facilidade em perceber o estilo de escrita. Não se engane, porque não passa batido pra todo mundo.

PORQUE LEIO, PORQUE ESCREVO, PORQUE SUBLIMO...

Gosto de leituras. Gosto da calmaria que me dá, a companhia de um livro. Tenho uma atenção hipervigilante e minha energia é "autoalimentada" pela minha respiração. Isso às vezes cansa, porque essa energia - em certos momentos - parece um bêbado Justificartrôpego que não sabe para onde vai. Mas segue. Ás vezes fazendo bem, às vezes exaurindo a moradora. E um bom livro é a chave. Ele me desliga um pouco do mundo e me permite mergulhar em um lugar que não é meu. Que não precisa de respostas nem de pressa. Que me torna, apenas, espectadora do contexto, não mais a diretora-produtora-protagonista da história.

Por gostar de ler, me aventuro na escrita. Escrever também me dá prazer. É uma das minhas sublimações prediletas, porque externalizo um pouco do que habita meu íntimo. Minhas neuras, meus traumas, minha efusividade, minhas dores e meus deslumbramentos. Me dispo das couraças e me projeto nas palavras. Ás vezes tudo pássa quando escrevo a última frase. Como por encanto...

Não escrevo para que me achem intelectual ou analisem a minha capacidade cognitiva. Esse não é o propósito. Escrevo por prazer. O mesmo que tenho ao saber que alguém que não me é familiar leu as minhas palavras. Alguém que não é aquele bom amigo coruja de sempre... O prazer que tenho, não é um prazer narcisista. Mas um sentimento de reconhecimento da similitude. De que outros pensam, sentem e curtem as mesmas "viagens existenciais". Que - ufa!! - não sou um ET e "último exemplar" da minha espécie habitando essa torre de babel que às vezes encanta, às vezes oprime.

Escrevo porque leio. De tudo um pouco. Um muito de cada coisa. Faço os dois por um desejo de satisfação estritamente pessoal e sem interferência de terceiros. O que vem é lucro, bônus, presente, promoção. E quem não gosta de tudo isso???

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

PARA O CARNAVAL, por Fernanda Young

"Todo ano é a mesma coisa: você chega, fica aqui três dias e aí vai embora. Volta um ano depois, todo animadinho, querendo me levar para a gandaia. Olha, honestamente, cansei.

Seus amigos, bando de mascarados, defendem você. Dizem q sempre foi assim, festeiro, brincalhão, mas q no fundo é supertradicional, de raízes cristãs, e só quer tornar as pessoas mais felizes.

Para mim? Carnaval, desengano... Você recorre à sua origem popular e incentiva essas fantasias nas pessoas, de q você é o máximo, é pura alegria, mas não passa de entrudo mal-intencionado, um folguedo, q nunca viu um dia de trabalho na vida.

Acha-se a coisa mais linda do mundo e é cafonice pura. Vive desfilando pelas ruas, junto com os bêbados, relembrando o passado. Chega a ser triste.

Carnaval, você tem um chefe gordo e bobalhão q se acha um rei, mas não manda em nada. Nunca teve um relacionamento duradouro. Basta chegar perto de você e temos q agüentar aquelas fotos de mulheres nuas, que são o seu gde orgulho. Você não tem vergonha, não?

Sei q as pessoas adoram você, Carnaval, mas eu estou cansada dos seus excessos e dessa sua existência improdutiva. Seja menos repetitivo, proponha algo novo. Desde q o conheço, você gosta das mesmas músicas. Gosta de baile. Desculpa, mas estou pulando fora.

Será q essa sua alegria toda não é para esconder alguma profunda tristeza? Será q você canta para não chorar? Tentei, várias vezes, abordar essas questões, e você sempre mudou de assunto. Ora, chega dessa loucura. Reconheça q você se esconde atrás de uma dupla personalidade.

Cada vez mais e mais pessoas ficam incomodadas com essa sua falsa euforia, fique sabendo. Conheço várias q fogem, querendo distância das suas brincadeiras.
Você oprime todo mundo com esse seu deslumbramento excessivo diante das coisas, sabia?

Por exemplo, essa sua mania de camarote. Onde os vips podem suar sem q isso pareça nojento. Onde se pode falar torto sem q seja errado. Todos vestidos de uniforme, senão não entram. Todos doidos para passar a mão na bunda um do outro. Essa é a sua idéia de curtir a vida?


Menos purpurina, Carnaval. Menos bundas, menos dentes para fora. A vida é linda, mas a “lindeza do lindo mais lindo que há no lindíssimo” é um saco. Um pouco de calma e autocrítica nunca fez mal a ninguém. Tudo muda no mundo – por que você insiste em continuar o mesmo?

A harmonia vem da evolução, não das alegorias. Chegou a hora de rodar a baiana para não atravessar na avenida.

Como será amanhã? Responda quem puder".

SEM PERGUNTAS NÃO HÁ RESPOSTAS

Invariavelmente, os questionamentos aparecerão na sua vida. Nem sempre é o peso da leveza, como sugere Kundera. Pode ser a necessidade de mudar de nível. Pode ser a impaciência que vem com a idade. Pode ser o copo que está prestes a transbordar, não porque as coisas estão ruins, mas porque evitou-se beber para não quebrar a homeostase. As indagações aparecem porque as respostas para as perguntas, nem sempre são as mesmas. Tudo é circunstancial. Não precisa de eventos novos, acontecimentos inéditos. Precisa apenas um querer mais ou uma redução no nível de aceitação. Novos desejos também podem sugerir uma nova realidade. Quando a gente passa de nível, as dificuldades aumentam e as chances de errar e sair ileso começam a diminuir. As diferenças bobas e cotidianas passam a ser administradas de forma reflexa, é verdade. Já o "pensar diferente" que colide com os valores e princípios morais causam danos maiores, porque espera-se mais do outro. E a colisão, às vezes, pode ser internamente irreparável, mesmo que a sublimação impeça uma exposição pública. E aí, as interrogações começam a fazer-se presente no mundo particular. Não porque se é louco ou por apego as complicações. Mas por um desejo de completude sem vácuos, sem lacunas e sem divergências determinantes.

NECESSIDADE LITERÁRIA

Precisando me perder em uma livraria. Encher as mãos, secar o bolso, inundar a cabeça de letrinhas, idéias e elocubrações fresquinhas. Acho que é isso o que vou fazer... Enquanto não chegam as novidades, um pouco de KUNDERA, na Insustentável Leveza do Ser...

"Esses anos eram mais belos na lembrança do que no momento em que foram vividos".

"O que não é consequência de uma escolha não pode ser considerado nem mérito nem fracasso. Diante de um estado que nos é imposto, é preciso, pensa Sabrina, achar uma atitude apropriada".


"O acaso tem seus sortilégios, a necessidade não. Para que um amor seja inesquecível, é preciso que os acasos se encontrem neledesde o primeiro instante..."

"Nossa vida cotidiana é bombardeada por acasos, mais exatamente por encontros fortuitos entre as pessoas e os acontecimentos, o que chamamos de coincidências. Existe coincidência quando dois acontecimentos inesperados se dão ao mesmo tempo, quando ele se encontram (...)".

"Não se pode, portanto, criticar o romance por seu fascínio pelos encontros misteriosos dos acasos... mas se pode, com razão, criticar o homem por ser cego a esses acasos, privando assim a vida da sua dimensão de beleza".

"Não. Seu drama não era o drama do peso, mas da leveza. O que se abatera sobre ela não era um fardo, mas a insustentável leveza do ser".

"... e os amores são como os impérios: desaparecendo a idéia sobre a qual foram construídos, morrem com ela".

" Será melhor gritar e assim precipitar o próprio fim? Ou calar e barganhar uma agonia mais lenta?".

AMOR CRONICAMENTE URGENTE

Ás vezes tenho que concordar com Isabel Allende, quando ela afirma que a urgência é inseparável do amor... Porque é assim que esse sentimento habita no meu coração. Com uma urgente calmaria. Uma gostosa necessidade para ontem, hoje e todos os dias. Já sei que a vida pode não terminar amanhã. Mas, já que tive a sorte de sentir o que sinto, quero os meus "hojes" intensamente vividos... Afinal, quem toma o seu sorvete preferido de forma insípida? Ou viaja para o seu destino mais desejado com uma animação meia-boca? Definitivamente, meus sentimentos carecem de tepidez...

Meu amor, então...

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

VAI PASSAR. "Cedo ou tarde, vai passar..."

Vai passar. Vai passar... Digo a quem sofre, que as coisas melhoram um dia. Porque a vida é feita de ciclos, por mais que os fardos sejam difíceis de suportar. Entendo que às vezes parece que a vida resolveu deixar a mala mais pesada para tomarmos conta e foi ali, tomar um cafezinho, sem aviso prévio nenhum. Bem na hora que a gente tinha um montão de coisas para fazer. Coisas agradáveis. Mas a gente aceita e tenta fazer da melhor forma. É como se tivessem apertado o botão pause nos nossos dias e - nesse momento - uma drástica alteração de pesos e medidas tivesse sido operada nos nossos desejos, nas nossas expectativas, na nossa programação.
Mas esse momento também é apenas um momento. E enquanto ele perdura, os amigos estão para serem justamente "explorados". Porque não há "exploração" mais desejada do que sentar ao lado de quem sem ama, enquanto a tormenta impera. Porque os amigos são amigos porque desejam o melhor para o outro. E quando esse melhor não está em seu controle, segurar na mão e ajudar a dividir o peso já é de grande valia... para os dois lados.
Sim. Dias melhores virão para quem ainda não conseguiu descansar tranquilamente. E o sol voltará a brilhar, anunciando um gostoso dia de muita praia. E tudo voltará a tão almejada normalidade...