
Sim, está igual a um TREINO DE SUBIDA...
Muito esforço pra pouco divertimento!
Muito esforço pra pouco divertimento!
Nem sempre podemos direcionar as nossas energias para o seu devido lugar. Nessas horas, uma corrida, um bom chocolate ou um livro interessante mudam o percurso daquele xingamento que já estava fazendo cócegas na nossa boca. Mas também, se a vontade for muito grande e o objeto merecedor, vá em frente, pra não correr o risco de engolir sapos que nem no seu brejo merecem estar!
Não sou pra todos. Gosto muito do meu mundinho, ele é cheio de surpresas, palavras soltas e cores misturadas. Às vezes tem um céu azul, outras tempestade. Lá dentro cabem sonhos de todos os tamanhos, mas não cabe muita gente, todas as pessoas que estão dentro dele não estão por acaso: são necessárias.
Caio Fernando Abreu
Após mais de 30 anos bem vividos, a gente acaba por conscientizar-se que algumas coisas não precisam mais ser aceitas. Porque a gente fica mais criteirosa, menos dependente e com paciência, apenas, para o que é realmente importante. A gente não precisa saber todas as músicas da moda, nem quem são os cantores do momento. Não precisa aceitar a noitada do namorado, nem chilique de ex. As explicações minunciosas deixam de ser tão necessárias e os dramas novelescos só servem para analisarmos os valores que cada um possui. E, a partir disso, decidirmos o que a gente quer pra nossa vida. A paciência para comportamento adolescente em corpo de adulto também diminui. Da mesma forma que diminui a nossa tirania com a dieta e com nós mesmas. A paciência diminui para gente sem educação, sem classe, sem berço. Para o carro estacionado em vaga proibida, pessoas atrapalhando o trânsito, discussões desnecessárias. Para comportamentos demasiadamente efusivos, pessoas mesquinhas e para aqueles que não conseguem enxergar o óbvio. Para a falta de decisão, para aquele sentado em cima do muro, para o adulto que não quer abrir mão de nada e acha que a vida é assim... E a gente descobre que os nossos critérios realmente aumentaram... A paciência para brigar diminui, assim como a necessidade de esforço para que o outro nos entenda, compreenda, aceite, ouça, considere, queira... Porque as nossas opniões ganham outra forma. Porque elas passam a falar por si só, sem precisar de uma dissertação gigantesca com direito a justificativas, objetivos, fundamentação teórica e conclusão. Aceita quem quer. E quem acha que vale à pena.
Dói quando a gente não é compreendida, quando nossos sentimentos parecem folclore e nossos valores são motivos de discórdia. As decisões perdem o valor, quando não são tomadas de coração aberto. Quando são, apenas, uma rendição, mesmo que representante de um contra-senso para si próprio. Contra-senso é absurdo, já diz o dicionário. Absurdo é falta de sensatez. O que era pra ser um gesto de carinho, não deveria se configurar nisso. Teria seus méritos se o objetivo de quem pede compreensão suplantasse o desejo de ver o outro feliz. Não é o caso. Bem longe disso. Então, não era pra ser assim. Isso não é entendimento.
O que seria da vida sem os feriados, os sábados e domingos, a tão esperada sexta à noite? O que seria de nós sem os velhos amigos, os bons amigos e aquele novo amigo que já vem chegando e ocupando um cômodo na nossa vida? Bem-aventurados aqueles que sabem a hora certa de despir-se de pudores desnecessários, sem pisar na grama do vizinho. Que conseguem aproveitar cada instante numa liberdade de fazer inveja aos encouraçados de plantão. Admiráveis aqueles que usam a diversão como protagonista da vida, conscientes de que os coadjuvantes também são indispensáveis. E os que não usam os momentos de euforia para perder a noção de ética e da boa educação. E viva os eufóricos engraçados, sem-noção, que repetem a mesma frase compulsivamente, que dançam lascivamente, que abraçam os amigos, que fazem careta e não param de rir. Sortudos todos nós, que temos a honra de encontrar pessoas diferentes e tão semelhantes. E dividir tantos instantes de um jeito tão parceiro.