Parece que é verdade que, algumas vezes, a felicidade alheia incomoda. Não que as pessoas queiram ver as outras tristes, cabisbaixas ou surumbáticas. Mas em algumas ocasiões, elas não sabem lidar - naturalmente - com a energia, o brilho e o despreendimento dos outros. É como se fosse uma ofensa. Como se a euforia não pudesse nascer de dentro para fora. E aí nascem os julgamentos, as idéias pré-concebidas, o olhar atravessado, a boca torta, as falsas conclusões. Porque, para alguns, estar alegre demais é exagero. O sorriso tem que ser comedido, a animação tem que ser controlada, e tudo segue um padrão severo. Trair pode. Mentir pode. Apropriar-se dos bens alheios também pode. Divertir-se demais, não. Estar feliz demais foge do Manual do "bom comportamento". Faltar com o respeito com pessoas que amamos é perdoável. Furar a fila, também. Fazer coisas ilícitas, pode - desde que as únicas testemunhas sejam também cúmplices de tais ações. Mas pular demais, suar demais, rir demais... parece over para quem vive de falso moralismo e de uma pose babaca, alimentada por uma legião de puxa-sacos.
Não queridos. Meu controle de qualidade segue uma cartilha diferente. O que não pode, o que não dá, é a hipocrisia. Foi assim que aprendi em casa e na escola. Ser desonesto não pode. Invadir o espaço alheio é feio. Violar o direito de terceiros é contra a Constituição. Essas coisas, sim, merecem cara feia e são motivos suficientes para repensarmos o caráter de alguém. Mas ser feliz sem fazer mal a ninguém, não é só permitido - queridos - é, também, saudável. Muito. Experimentem qualquer dia desses...